Nos olhos do moço
A espreita
Nos olhos da moça
O temor
Partiu de todos os poros
Desceu até o ventre,
espalhando-se
Então a moça se esqueceu de respirar
E achou que tudo estava se esvaindo do seu corpo:
sangue, suor, ar
E ficou tamborilando os dedos na madeira
escura da mesa polida
Assistindo a seu próprio reflexo sôfrego
Por não ter para onde olhar
Perguntando se era
bonita o bastante
O moço,
Querendo dizer o que fosse impressionar
Ficou falando da chuva lá fora
Como coisa rara na cidade
Como se não soubesse - nessa idade!
Palavrear o que sentia
Desse momento em diante
Ficaram só se olhando nos olhos
Seus olhos de amor e pavor
Da paixão que nascia
E do medo de achar-perder
O que nunca procuraram
Por não imaginarem o que fosse
De repente neles surgia
E só agora se descobria
No momento seguinte
Desistiram, subitamente
Desse amor que os consumia
Porque a luz se apagou
E os olhos se perderam
(29/10/1993)
A espreita
Nos olhos da moça
O temor
Partiu de todos os poros
Desceu até o ventre,
espalhando-se
Então a moça se esqueceu de respirar
E achou que tudo estava se esvaindo do seu corpo:
sangue, suor, ar
E ficou tamborilando os dedos na madeira
escura da mesa polida
Assistindo a seu próprio reflexo sôfrego
Por não ter para onde olhar
Perguntando se era
bonita o bastante
O moço,
Querendo dizer o que fosse impressionar
Ficou falando da chuva lá fora
Como coisa rara na cidade
Como se não soubesse - nessa idade!
Palavrear o que sentia
Desse momento em diante
Ficaram só se olhando nos olhos
Seus olhos de amor e pavor
Da paixão que nascia
E do medo de achar-perder
O que nunca procuraram
Por não imaginarem o que fosse
De repente neles surgia
E só agora se descobria
No momento seguinte
Desistiram, subitamente
Desse amor que os consumia
Porque a luz se apagou
E os olhos se perderam
(29/10/1993)
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ora pois pois